terça-feira, 10 de abril de 2012

Ninja Reflex: Steamworks Edition - RESENHA

Gênero: Indie
Desenvolvedor: Sanzaru Games
Publisher: Nunchuck Games
Plataformas: PC
Lançamento: Março de 2008
Nota: 7,5 de 10,0
Onde comprar: Steam - http://store.steampowered.com/app/13000/


Você se considera um bom jogador? Acha que tem o que é necessário para zerar qualquer game na dificuldade máxima? Conseguiria entrar em um jogo multiplayer e fazer seus adversários sentirem que deveriam jogar apenas The Sims? Não? Então temos aqui um game que pode te ajudar nisso.

Sim, essa é exatamente a proposta dele: ser um jogo que te treina em habilidades que você precisará para jogar outros games. Através de uma série de desafios, ele vai te obrigando a melhorar seu controle de movimentos, reflexos, visão e tudo o mais que um gamer experiente desenvolve com o passar do tempo. Estou falando de NINJA REFLEX: STEAMWORKS EDITION!
 

O jogo todo se passa em um dojo. Você tem um mestre chinês velhinho, parecido com o Pai Mei, só que menos agressivo. Esse mestre lhe trará 6 tipos de treinamentos, cada um deles divididos em dois ou mais desafios, todos responsáveis por testar uma parte da sua habilidade como gamer. Isso tudo em meio a diversas referências a jogos da Valve, as quais eu sempre fico um tempão procurando.

No início, você estará na faixa branca e os testes que fará serão bem simples, só o bastante para pegar o jeito dos controles e entender como funciona cada teste. Mas, conforme for completando mais desafios e subindo de faixa, eles se tornam cada vez mais difíceis, de maneira que em determinado momento serão necessárias muitas e muitas tentativas para passar.

Esse é o mestre que te acompanhará, e... SAI DE CIMA DO MEU
COMPANION CUBE, SEU MALVADO!!

Os treinamentos se dividem em seis categorias: No primeiro, de shuriken, é necessário acertar os alvos móveis, clicando neles e arrastando o mouse em seguida. No de hashis, há várias moscas voando, que devem ser capturadas e colocadas dentro de uma tigela. Há também o de katanas, no qual vários Onis lhe atacam e o objetivo é descobrir de qual lado virá o ataque, bloqueá-lo e contra-atacar. Também temos o dos vaga-lumes, que consiste em clicar o botão do mouse assim que o inseto aparece para pegá-lo. O de nunchaku, que eu considero o mais difícil, exige que o jogador clique o mouse no momento certo sem parar de fazer um movimento contínuo em forma do sinal de infinito. E, por fim, no treino Koi, você deve acompanhar suavemente os peixes com o mouse e pegá-los quando saltarem da água.

Mova o mouse com suavidade, para não espantar os peixes

Cada uma dessas categorias tem variações que vão sendo desbloqueadas com o decorrer do jogo e, quando todas tiverem sido devidamente superadas, o passo seguinte é fazer o teste para mudança de faixa. Este consiste em três desafios aleatórios, muito mais difíceis que os anteriores, e é preciso se sair bem em todos para ser aprovado.

Obviamente, esse jogo não fará de você um ninja de verdade, nem te colocará em primeiro lugar nos leaderboards, mas mesmo assim é bastante divertido. Com o passar do tempo, você precisará de várias tentativas para passar em cada teste e ao final seus resultados, que são medidos em milésimos de segundo, melhorarão muito.

O teste de pegar as moscas com o hashi é meu preferido,
me sinto o mestre Miyagi

Uma coisa que pode ser dita é que o fato de todos os desafios serem variações dos seis primeiros acaba tornando o jogo repetitivo, mas eu não penso assim. A cada nova faixa, os testes vão ficando mais difíceis e a graça é justamente ver até onde você consegue ir. Esse aumento progressivo na complexidade, para mim, compensa a falta de variedade.

Só o que eu senti que faltou em Ninja Reflex foi algum tipo de desafio que envolvesse o uso do teclado. Todas as fases, apesar de terem uma jogabilidade diferente, são jogadas apenas com o mouse. Se incluíssem testes que usassem o teclado, não só contribuiria para não ficar tão repetitivo como tornaria o game mais completo.

É sempre recompensador receber uma nova faixa. Aliás, reconhece os óculos?

Outro modo de jogo é o de meditação. Ele funciona assim: você medita. Sim, isso mesmo, você fica um tempo com os olhos fechados, meditando, enquanto o mestre fica te falando sobre coisas que deveriam te acalmar. Agora sério... alguém REALMENTE já entrou nesse modo sem ser pra conseguir o Achievement? Só o fato de eu ter pago por um jogo que me manda fechar os olhos já tira qualquer possibilidade de eu me acalmar. Quem teve essa idéia?

No final das contas, considero NINJA REFLEX: STEAMWORKS EDITION um jogo divertido para ser jogado sem compromisso, para ver até onde você consegue chegar. O preço é baixo, o que facilita bastante, e é muito recompensador conseguir uma nova faixa ou passar de um desafio particularmente difícil. Considero um bom passatempo, especialmente se você tiver acabado de sair de um game longo e estiver recuperando o fôlego para o próximo.

domingo, 8 de abril de 2012

Grand Theft Auto V - TRAILER


Com seu primeiro título lançado em outubro de 1997, Grand Theft Auto é, de longe uma das séries de games mais famosas e mais polêmicas da história dos video games. Com seu estilo sandbox, que foi um grande diferencial em seus primeiros anos, história envolvente, que desde o início te coloca do outro lado da Lei, e jogabilidade que não apenas facilita mas incentiva a prática de crimes violentos a esmo, não é à toa que gerou uma comoção tão forte tanto entre os gamers quanto entre os pais preocupados com a exposição dos filhos a esse tipo de conteúdo.

A polêmica se tornou ainda mais forte em 2001, com o lançamento do Grand Theft auto III, que transportou os jogadores para um mundo 3D, muito mais real que o dos jogos anteriores, tornando ainda mais chocantes os atos de violência que os jogadores podem praticar.

O mais interessante é que tanta discussão em torno deste game, longe de desincentivar que fosse jogado, atiçou mais ainda a curiosidade dos gamers e fez desta uma das franquias de maior sucesso no mundo, com milhões de fãs que a cada nova versão esperavam para ver quais novas opções de interatividade teriam à sua disposição.

E hoje estamos aqui para falar do próximo jogo, cujo trailer foi divulgado no dia 2 de novembro de 2011 e que promete não decepcionar: GRAND THEFT AUTO 5!


Esse trailer não demonstra o gameplay do jogo, apesar de aparentemente mostrar os gráficos como serão ingame. Na verdade, ele se resume ao protagonista contando um resumo de sua história enquanto a câmera mostra diversas cenas das mais variadas partes da cidade. Mesmo assim, ele traz elementos o bastante para que tenhamos uma ideia do que podemos esperar.

Primeiro de tudo, a história. Pelo que o personagem diz, ele se trata de um ex-criminoso que resolveu se mudar para Los Santos (uma das cidades que aparece em GTA: San Andreas) em busca de uma vida honesta e um lugar tranquilo onde pudesse criar seus filhos como um pai de família normal. Obviamente, as coisas não serão tão fáceis assim.

As paisagens também chamam muito a atenção, tanto pelos gráficos quanto pela variedade: temos uma área costeira, com pessoas correndo à beira da praia e jet skis andando pelo mar, temos uma área montanhosa com alpinistas usando equipamento de escalada e também um campo enorme, que deve preencher a maior parte do terreno entre as cidades.

As demais cidades permanecem um mistério, mas, de acordo com declarações dos produtores, de que haverá uma representação do sul da Califórnia, talvez possamos esperar a volta das cidades de Las Venturas e San Fierro, também presentes em San Andreas. Além delas, há um momento no trailer que mostra o letreiro de "Vinewood". Será que haverá uma versão de Hollywood? Espero que sim, estou muito curioso para ver a versão GTA da calçada da fama e de outros pontos turísticos da cidade do cinema.

Os NPCs também aparentam ter uma boa variedade, tanto na aparência quanto nas atitudes. Alguns aparecem com roupas de inverno e equipamento escalando, outros com roupas curtas correndo à beira do mar, fazendo exercícios na sacada de casa e até um mendigo pedindo dinheiro para comprar bebidas. Se isso for mesmo uma amostra do que teremos ingame, a cidade será muito mais crível do que nos jogos anteriores,

Será que desta vez teremos crianças andando pela cidade? Acho que não, além delas não estarem presentes no trailer, o jogo já está bem polêmico como está e, se fizerem como no Fallout 3, em que crianças são imortais, tirará muito do realismo e da imersão.

Sinceramente, o que eu espero é que volte a ter tantas opções de ações quanto no San Andreas, em que era possível comprar propriedades, pilotar aviões e várias outras coisas que acabaram sendo retiradas no GTA 4, o que me deixou bastante decepcionado.

Mas creio que não tenho com o que me preocupar. A Rockstar já declarou que este será seu maior projeto e que se focará na aquisição de patrimônio, então estou contando que terá todas as possibilidades dos jogos anteriores e muitas outras.

Esperamos o lançamento até o início do ano que vem, mas, infelizmente, devido à chegada do Max Payne 3 em maio, a Rockstar tem se focado mais nele, então as informações sobre o GTA V ainda são poucas, mas o Um Hit Point pretende acompanhar todos os novos detalhes que forem revelados.


PS: Recentemente, um cara chamado Brendam, que alega ter trabalhado na Rockstar, divulgou diversas novas informações sobre o jogo, como as cidades que estarão presentes, as missões, veículos e terrenos, mas ainda não é certeza de que essas informações sejam confiáveis, então deixamos de levá-las em consideração, pelo menos até que haja um pronunciamento oficial.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Curiosidades de Games - Parte 2

 Fala, galera! Estamos aqui com mais um episódio de CURIOSIDADES DE GAMES! Nesta seção, o Um Hit Point traz pra você fatos e curiosidades interessantes sobre o mundo dos games, tanto coisas ingame quanto da vida real. Se souberem de mais alguma coisa maneira, ou se dermos alguma mancada, é só dar um toque ou uma xingada nos comentários. E que a vida longa e próspera esteja com vocês!


Crise de identidade




O boxeador de Street Fighter II foi baseado no lutador da vida real Mike Tyson e, originalmente, no Japão, se chama Mike Bison. No entanto, quando o game foi levado para o Ocidente, ficaram com medo de que Tyson entrasse com um processo e, ao invés de só mudar o nome dele, resolveram inverter o nome de três personagens, para disfarçar. Mike Bison, o boxeador, virou Balrog. Balrog, que no Japão é o Wolverine magrelo afeminado, virou Vega. E vega, o último chefe, da roupa militar vermelha, se tornou Mike Bison. Essa troca se repete até hoje, em todos os Street Fighters.


Prefiro a versão final


Durante seu desenvolvimento, por muito tempo Sonic foi descrito como tendo presas, participando de uma banda e namorando uma garota loira chamada Madonna. No entanto, antes do lançamento do primeiro jogo, graças à intervenção de Madeline Schroeder, resolveram deixar o porco-espinho um pouco menos agressivo, para agradar ao público americano.


Só ganharam porque ele tava com sono


A batalha mais famosa do mundo dos MMORPGs ocorreu em EverQuest, contra um inimigo chamado Kerafyrm, "the Sleeper". Esse monstro era guardado por quatro dragões anciões que deveriam ser mortos antes que ele acordasse. Após acordar, ele sairia voando e destruindo todo mundo por diferentes cenários do game até desaparecer e nunca mais reapareceria no servidor. Na verdade, ele foi feito para ser impossível de matar e nem a desenvolvedora achou que fosse possível.

Mesmo assim, em 15 de novembro de 2003, três das maiores guildas se uniram para enfrentá-lo, juntando mais de uma centena de jogadores. No entanto, após mais de 3h de luta, ele simplesmente desapareceu. Dois dias depois, a SOE se desculpou e admitiu que havia removido o monstro porque ele ser morto não fazia parte dos planos, mas o recolocou de novo onde estava, dando aos jogadores mais uma chance.

Então, dois dias depois, em 17 de novembro, em torno de de 180 jogadores enfrentaram novamente Kerafyrm, em uma batalha que durou quatro horas e terminou no momento em que o monstro caiu. No final das contas, calcula-se que ele tinha cem vezes mais hit points do que os demais chefes e era capaz de matar os jogadores com apenas um golpe. Só a união de tantos jogadores tornou possível a vitória contra um inimigo que nem sequer a criadora do jogo imaginou que pudesse ser vencido.


Achei que eu era viciado


O recorde de mais tempo jogando um video game sem parar é de David Scherer, da cidade de Clarksville/TN, nos Estados Unidos. A fim de conseguir levantar dinheiro para sua equipe de natação, ele passou incríveis 55 horas jogando Grand Theft Auto sem parar. Tá aí um recorde que eu queria tentar quebrar.


Troca de papéis no mundo dos games


Até agora, existem dois jogos da série "The Legend of Zelda" em que Link está desaparecido ou foi sequestrado e deve ser salvo pela princesa, que é a personagem jogável: "Zelda - The Wand of Gamelon", de 1993, e "Zelda's Adventure", de 1994, ambos para o console CD-i. As críticas aos dois games foi tão negativa que hoje não são considerados como parte da cronologia oficial da série.


Cadê aquela vaca?


Um dos mitos de games de maior repercussão foi o da famosa Fase da Vaca, ou "Cow Level", do jogo Diablo, de 1996. Em Tristan, a única cidade do jogo, há uma vaca isolada, que não serve pra nada durante todo o jogo. Mas, ninguém sabe exatamente como, surgiram boatos de que essa vaca de algum modo seria um portal para uma fase chamada Cow Level, em que você enfrentaria diversas vacas.

O mito tomou proporções tão enormes e encheram tanto o saco da Blizzard que, quando saiu o game Starcraft, em 1998, ela fez questão de que houvesse um cheat ativado pelo comando "thereisnocowlevel" (não existe Fase da Vaca).

No entanto, a brincadeira acabou sendo tão divertida que, no Diablo 2, lançado no ano 2000, eles realmente incluíram um Cow Level, que é acessível uma vez a cada nível de dificuldade, após matar o Diablo (ou Baal, na expansão). Basta ir para o Rogue Encampment e colocar no Horadric Cube a perna do Wirt, que você consegue logo no início do jogo, e um Tome of Town Portal. Pronto, está aberta a passagem pro lendário Cow Level. Divirta-se.


Corre aí, moleque! AGORA PULA!


O jogo Prince of Persia, de 1989, apresentou movimentos de personagem extremamente realísticos, se comparados a outros games da época. Para conseguir isso, o designer Jordan Mechner, que nem de perto tinha à sua disposição os recursos atuais de captura de movimentos, filmou várias horas de seu irmão mais novo David correndo, pulando e fazendo todos os outros movimentos que deveriam ir pro jogo e os usou como referência.


Esta mensagem se autodestruirá em 3... 2...


É possível ver mensagens para os jogadores deixadas pelos desenvolvedores de Chrono Trigger dentro do jogo. Para isso, é necessário zerar o game uma vez e recomeçá-lo usando a opção "New Game +". Jogue normalmente até encontrar Lucca, mas não vá até ela e sim até o teletransporte. De lá, você será enviado para 1999 AD e enfrentará direto o último chefe.

Ao vencer, você irá para o End of Time, que estará lotado de criaturas. Cada uma delas representa um desenvolvedor que deixou uma mensagem que gostaria que o jogador lesse. Alguns se queixam do trabalho ter sido difícil, outros lhe desejam boa sorte em seus jogos e tem até aqueles que se gabam por terem feito alguma parte especialmente legal ou difícil do game.


 Podem não perder sangue, mas vão desidratar
 

Apesar de ser uma das maiores franquias de jogos de luta, Mortal Kombat gerou muita polêmica quando foi lançado, em 1992. Tanto que, quando foi para os consoles sofreu censura tanto no que se refere ao sangue, que mudou de cor para parecer suor, quanto nos Fatalities, que viraram versões menos violentas do game para Arcade. No Super Nintendo não tinha como reverter isso, mas no Mega Drive era possível destravar o conteúdo mais violento usando o código A B A C A B B.


Agora todo mundo sabe que você joga mal


Por falar em código, existe um que é muito famoso no mundo dos games: o Konami Code, que surgiu em 1989, no jogo Gradius. A sequência é cima, cima, baixo, baixo, esquerda, direita, esquerda, direita, B, A.

Na verdade, ele existe por um erro. Um dos desenvolvedores, Kazuhisa Hashimoto, o criou porque achou o jogo Gradius muito difícil pra ele, o que dificultava a realização de testes, então colocou esse segredo (que dava power-ups ao personagem) para facilitar. Só que esqueceu de tirar a opção na hora de lançar o game, o que foi rapidamente descoberto pelos jogadores e se tornou um dos primeiros Cheat Codes presentes em um jogo de console.

Esse código, ou variações dele, tem uma função em praticamente todos os jogos da Konami e ficou tão conhecido que passou a ser usado como uma referência, ou homenagem, em jogos de outras empresas ou até em softwares que nada têm a ver com games.

sábado, 31 de março de 2012

Red Dead Redemption - RESENHA

Gênero: Action/Sandbox
Desenvolvedor: Rockstar
Plataformas: XBox 360 e PS3
Lançamento: Maio de 2010
Nota: 9,0 de 10,0


Eu tenho que admitir que nunca fui fã de filmes de faroeste. Não que não goste, apenas nunca me interessei muito. Apenas recentemente tive a curiosidade de ver obras como "Três Homens em Conflito" e a série do Estranho Sem Nome, do Clint Eastwood.

Deve ser por isso que demorei tanto para testar este game, que passou mais de um ano parado na minha estante antes de ser colocado pela primeira vez no PS3. Mas, assim que comecei a jogar, imediatamente fui transportado, com direito a chapéu e tudo, para dentro de um dos melhores filmes do Sergio Leone, que me deixou vidrado durante muitas semanas. Estou falando, obviamente, de RED DEAD REDEMPTION!
 

 A história desse jogo é simples e, ao mesmo tempo, muito interessante. você é John Marston, um ex-fora da lei que fazia parte de uma gangue de bandidos no estilo Robin Hood, que roubavam dos ricos e compartilhavam com os pobres. No entanto, no momento em que seus companheiros começaram a perder esse espírito e a cometer atos de violência desnecessária, você resolveu que não queria mais aquela vida e fugiu com uma prostituta que sempre andava com seu grupo, vindo a ter um filho com ela e a estabelecer uma nova vida como fazendeiro.

No entanto, o passado de John acaba voltando para assombrá-lo quando o governo federal sequestra sua família e, para poder encontrá-la de novo, você é obrigado a ir atrás de seus ex-companheiros e capturá-los (ou matá-los, o que for mais fácil).

É nesse ponto que nós encontramos nosso (anti-)herói. Toda a história pregressa dele é contada durante os diálogos que acontecem no decorrer do jogo e, mesmo o jogador não tendo vivenciado a vida de John, acaba sentindo como se o conhecesse há muito tempo, talvez pelo carisma do personagem ou pelo próprio roteiro, que é muito bem escrito.

De longe é um dos jogos mais bonitos que eu já vi

O jogo é um sandbox de um estilo muito parecido com o do GTA, ainda porque, a desenvolvedora é a mesma. Você tem uma área enorme à sua disposição, que vai se abrindo ainda mais no decorrer da história, na qual há várias cidades e entre elas grandes áreas vazias, onde você pode encontrar desde caravanas até bandidos perigosos de tocaia.

Essa é uma coisa que faz deste um jogo extremamente imersivo: o mundo parece realmente vivo. O dia e a noite se alternam, sendo que em diferentes horários você encontrará diferentes animais, pessoas e eventos acontecendo à sua volta. Além disso, o fator aleatório é muito importante, porque a qualquer momento você pode estar em um bar, jogando Poker, e de repente ouvir uma mulher gritando porque está sendo atacada por um tarado. Ou, durante uma viagem, podem te pedir ajuda para salvar alguém que está para ser enforcado ou para consertar uma carroça que quebrou. Não saber o que vai encontrar durante uma missão tem mantém atento o tempo todo, não havendo nenhum momento em que você possa realmente descansar.

Em cada área do mapa você encontrará vegetação e animais diferentes,
sem falar nas pessoas


Quanto aos combates, você tem duas opções: matar seu inimigo ou capturá-lo vivo. A captura é realmente fácil, basta se aproximar de seu inimigo e acertá-lo com seu laço, que ele ficará indefeso, pronto para ser amarrado e carregado de volta para a cidade. Mas cuidado, se você capturar um bandido procurado, as chances são de que será atacado por muitos outros no caminho para a delegacia. Quanto maior a recompensa, mais difícil será chegar inteiro.

O segundo meio de vencer uma luta, obviamente, é matar os adversários. A mecânica utilizada nesse quesito é muito parecida com a do GTA, com a mira automática e a possibilidade de se esconder atrás de objetos para escapar de levar balas indesejadas na testa. O que eu estranhei é que, ao contrário de outros games de tiro, a mira é apenas um pontinho, não um círculo ou uma cruz, que indicam a área onde o tiro pode acertar, levando-se em conta o recuo da arma e outros fatores que impedem que a mira seja perfeita. Mas, com o tempo, entendi e me acostumei. John é um pistoleiro e é o melhor no que faz. Sabe perfeitamente como compensar o recuo da arma, o vento e qualquer outro fator, por isso, se ele quer acertar um ponto, é pra lá que a bala vai.

Para confirmar minha ideia de que Marston tem uma mira não apenas rápida, mas também perfeitamente precisa, existe o Dead Eye, que é a versão deste game do bullet time. Ao ativá-lo, tudo à sua volta fica muito mais lento e, assim, você pode calmamente atirar em todos os inimigos à sua volta, que parecerão tartarugas. Essa habilidade faz de você praticamente uma máquina de dar headshots e, após certos eventos, ela vai ficando ainda melhor.

O Dead Eye ajuda muito, mas talvez seja um pouco demais

Há também um tipo de combate que te permite não matar nem capturar o adversário, que é o duelo. Nele, você faz parte de um daqueles famosos duelos de filmes de bangue-bangue em que vence quem saca mais rápido. Eles acontecem durante missões e também aleatoriamente. De vez em quando, enquanto você estiver andando pela cidade, algum valentão te desafiará e fica a seu critério aceitar ou não. Há alguns duelos específicos em que você não vencerá se não matar, mas, na maior parte das vezes, alguns tiros na mão ou no braço serão o suficiente para te dar a vitória e ainda ganhar alguns pontos de honra.

Esses pontos de honra, assim como os pontos de fama, mudam a maneira como as outras pessoas lhe vêem e tratam. A fama aumenta conforme você se torna mais notório, enquanto que a honra pode tanto aumentar quanto diminuir, dependendo se você pratica atos bons ou maus. Se estiverem altos, as autoridades talvez até lhe dêem uma colher de chá e olhem pro outro lado conforme você pratica crimes menores, mas uma honra baixa faz com que você seja evitado pela população e talvez até perseguido pela lei.

Essa cena me dá muita vontade de ver "Três Homens em Conflito"

Sim, assim como no GTA, é possível você jogar como um bandido, apesar de eu não ter feito isso. Você pode cobrir o rosto com um pano e assaltar um trem, por exemplo, ou ir logo pro faroeste macarrônico e colocar uma mocinha amarrada em cima dos trilhos, esperando o trem passar por cima dela. Quanto mais crimes cometer, mais sua honra cairá e maior será a recompensa pela sua cabeça. Então se prepare para encontar muita resistência.

Para se tornar uma verdadeira lenda do oeste, é necessário que você complete os challenges (desafios), que são uma opção disponível desde bem cedo no game. Há quatro categorias no jogo original (atirador, caçador, herbalista e caçador de tesouros) e mais algumas disponíveis por DLC. Cada categoria lhe trará dez desafios, como matar uma certa quantidade de determinado animal ou recolher determinado número de ervas de um tipo, que, se forem completados, lhe darão melhores habilidades e deixarão mais perto de ser um verdadeiro Clint Eastwood.

Nada como o bom e velho assalto ao trem pagador

Caso não tenha aspirações tão grandes, ou queira simplesmente uma distração de tantos tiroteios e cavalgadas, você também pode participar de uma boa variedade de mini-games, à maneira do velho oeste, como Poker, 21, Liar's Dice e aquela brincadeira de bater com uma faca na mesa, entre seus dedos abertos, que na vida real sempre terminam com alguém indo pro hospital. Todos esses jogos proporcionam uma boa distração depois de algumas horas dando headshots.

O modo multiplayer também é uma parte importante de Red Dead, tendo vários modos que o jogador pode escolher: no modo Free Roam, até 15 jogadores podem andar pelo mundo basicamente como no Single Player, mas podem se unir e formar grupos de até 8 pessoas para sair distribuindo o terror ou até enfrentando outros grupos. No modo competitivo, por outro lado, há a opção de lutarem cada um por si ou em times, sendo que a primeira opção sempre começa com um impasse mexicano e a segunda com um duelo de saque com um time de cada lado.

Isto é um impasse mexicano

Os gráficos do game são realmente incríveis, você se sente realmente como se estivesse no velho oeste, cavalgando em seu cavalo por terras inóspitas, tendo que lidar tanto com bandidos quanto com a vida selvagem. Os personagens são bem feitos e o cenário é melhor ainda, o que era de se esperar porque, em jogos assim, o verdadeiro atrativo é o mundo em que você está. Aliás, eu preciso fazer aqui uma menção especial à chuva, que é a melhor que eu já vi em qualquer jogo eletrônico. Você chega a sentir frio de verdade de tão real que ela é. Poucas coisas são mais emocionantes do que capturar um criminoso procurado durante uma tempestade torrencial.

A trilha sonora também foi extremamente bem-feita, especialmente as músicas que tocam ao final e em um evento importante no meio do jogo. Elas contribuem muito para a emoção que as cenas querem passar e te deixarão triste por não ter realmente vivido aquela época. Todos os demais sons também se encaixam perfeitamente, desde os tiros até os passos dos cavalos a galope.

Capturar os bandidos sempre dá recompensas maiores do que matá-los

A dublagem também tem um papel muito importante e é uma das grandes responsáveis pela empatia que sentimos pelos personagens. Mesmo meses depois de ter jogado pela última vez, ainda lembro do jeito simples do John, ou da maneira decidida e alta da Bonnie falar. Muitos personagens desta história se tornaram memoráveis graças às ótimas atuações por trás deles.

O jogo, porém, tem uma série de bugs, como é normal em games de mundo aberto, com um cenário muito grande. Mas, o que seria um grande problema, neste caso não é tão ruim. Apesar de haver aqueles que tiram totalmente a imersão, como algumas travadas inexplicáveis do cavalo e atravessadas de parede, só que muitos deles são muito divertidos, como a horsewoman, do vídeo abaixo, o que fez até com que os jogadores pedissem para que não fossem consertados em futuros patches.

Assim como John, Bonnie é uma personagem que certamente será lembrada
pelos gamers durante muito tempo

Acho que o único defeito que eu realmente vi nesse jogo é a dificuldade, que praticamente não existe. Em momento algum eu me senti realmente desafiado, mesmo quando me forçava a não usar o Dead Eye (que deixa tudo mais fácil ainda). Claro que morri algumas vezes, mas quase todas porque fiquei negligente por me sentir invulnerável. Houve até uma ocasião em que me deram uma gatling gun e eu nem tentei usá-la, fui na pistola mesmo e ainda assim consegui passar.

Ainda assim, no final das contas, acho que todos os gamers deveriam passar pelo mundo de Red Dead Redemption, pois é um exemplo de como um jogo deve ser feito. Com uma história incrível, personagens carismáticos, um mundo cheio de locais para explorar e uma ambientação sem igual (sem falar em um dos melhores finais de jogos que eu já vi), você se sentirá como um verdadeiro pistoleiro no velho oeste, lutando para recuperar sua família e para se redimir pelos seus erros do passado.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Jogos proibidos no Brasil - MATÉRIA

Há algum tempo atrás, houve uma comoção entre os gamers devido ao projeto de Lei nº 170/06, do senador Valdir Raupp, que previa a proibição de jogos eletrônicos "ofensivos aos costumes, às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos". Ou seja, praticamente qualquer jogo poderia ser incluído nessa lista. 

No final das contas, conseguimos que houvesse o adiamento da votação por tempo indeterminado. Só que, infelizmente, ainda há chances de algo assim vir a ser aprovado, mesmo parecendo que não será tão cedo.

Desde já, é bom deixar claro que o Um Hit Point é contra qualquer tipo de proibição de games. Tudo bem, alguns deles são mesmo bem pesados e chocantes, mas é pra isso que existe a classificação etária. Coloque lá um "para maiores de 18" e pronto, deixa a galera ser feliz.

E vamos ser sinceros, esse tipo de banimento não impede que ninguém jogue. Pelo contrário, apenas faz uma propaganda maior. Hoje em dia, diferentemente de há 10 anos, é muito fácil adquirir um jogo em outro país, seja importando ou simplesmente comprando pelo Steam, GOG ou qualquer outro site estrangeiro. Me falem um jogo banido do Brasil, que eu imediatamente ficarei curioso e arrumarei uma cópia original só pra ver o que tinha de tão ruim assim.

Também tem outra coisa... desculpe, mas se seu filho viu um jogo de video game e sentiu vontade de sair matando ou machucando as pessoas, o problema não são os games, é seu filho que já tinha algum distúrbio desde o começo. O jogo, nesse caso, foi no máximo um catalisador, que poderia muito bem ser uma briga por futebol, discussão no trânsito ou uma namorada infiel.

O melhor meio de impedir que os video games destruam famílias é criando bem os filhos. Se eles entenderem que aquilo é só um jogo, que não é real, pode colocá-los pra jogar até Manhunt, que não terá problema algum. Pelo contrário, já foi provado cientificamente que jogos eletrônicos desenvolvem várias habilidades mentais, como o raciocínio e os reflexos, além de serem professores de inglês melhores do que todos os que eu já tive na escola juntos.
De qualquer maneira, devemos lembrar que, mesmo não existindo uma lei específica banindo jogos, ainda há aqueles cuja comercialização e distribuição foram proibidas no Brasil, geralmente por ordem judicial. Esta matéria traz a você uma lista deles junto com uma breve explicação, para que decida se acha ou não que há motivos para tanto alarde:

Blood

Desenvolvedora: Monolith
Lançamento: Junho de 1997


Proibido no Brasil desde 1999, este game se trata de um FPS, como boa parte dos outros desta lista. À época, esse tipo de jogo não era tão comum quanto hoje e a imersão que trazia gerou preocupação nos mais conservadores, pois tem como objetivo fazer com que o jogador se sinta no lugar do personagem. Infelizmente, são esses consevadores que escolhem o que querem ou não proibir.

Aqui, você é Caleb, o ex-líder de uma seita pagã/herege que, após ser morto pela traição de Tchernobog, volta dos mortos para buscar vingança. E seu caminho para destruir seu inimigo está cercado de oponentes que serão mortos das maneiras mais violentas e sangrentas possíveis, misturadas com humor negro e temática ocultista. 

Tudo bem que os gráficos hoje são risíveis, mas na época era considerado um jogo com aparência muito realista.


Bully

Desenvolvedora: Rockstar Vancouver
Lançamento: Outubro de 2006


Proibido no Brasil desde abril de 2008. Nesse jogo, você assume o papel de Jimmy Hopkins, um garoto matriculado no internato Bullworth Academy, um local cheio de professores corruptos, alunos mal-encarados e grupos de alunos querendo te pegar. Agora, você deve se virar para sobreviver nesse lugar, podendo escolher tanto ajudar os alunos mais fracos (em troca de recompensas) quanto bater neles para roubar o dinheiro do lanche.

Em termos de violência explícita, Bully é o mais fraco desta lista. No entanto, há alguns anos que aumentou muito a preocupação nas escolas brasileiras com o conhecido bullying, assunto que esteve em todos os jornais em determinada época, o que certamente influenciou muito na decisão de proibir esse game.


Carmageddon e Carmageddon II - Carpocalipse Now

Desenvolvedora: Stainless Games
Lançamento: Junho de 1997 e Novembro de 1998
 

Com base no filme Death Race 2000, Carmageddon é um jogo de corrida no qual você pode vencer de três maneiras: fazendo o percurso em menos tempo, destruindo os outros carros ou matando todos os pedestres. Sabem todos aqueles jogos que os anti-video games dizem que você ganha pontos por matar inocentes? Pois é, neste aqui, você realmente ganha.

A fim de diminuir o fator violência, em muitos países o conteúdo foi editado, transformando as pessoas em zumbis ou robôs (apesar de que eu nunca engoli ter zumbis que se ajoelham e imploram para não serem mortos). Aqui no Brasil, no momento da instalação era requerida uma senha. Com essa senha, você encontrava seres humanos normais e, sem ela, eles eram substituídos por robôs. Mesmo assim, esse jogo acabou sendo proibido.

O game Carmageddon II - Carpocalipse Now acabou sofrendo o mesmo destino que seu antecessor, pelos mesmos motivos, passando inclusive pelas alterações que transformaram as pessoas em zumbis.


Doom

Desenvolvedora: Id Software
Lançamento: Dezembro de 1993


Nesse jogo, você assume o papel de um fuzileiro espacial enviado para Marte, com o objetivo de ajudar na construção de um portal de teletransporte entre as duas luas desse planeta: Phobos e Deimos. Mas, por um erro durante um experimento, o que é aberto é um portal para o inferno, de onde começam a sair diversas criaturas demoníacas, que matam todos os seus companheiros. Agora, você deve ir até as profundezas do próprio inferno a fim de impedir que esses demônios invadam a Terra.

Doom deu um salto em imersão quando surgiu, trazendo diversas inovações em questão de ambientação, iluminação, cenários e outros aspectos, que contribuíram para que se tornasse mais real (tanto quanto um jogo daquela época poderia parecer real).

Infelizmente, alguns velhos rabugentos acharam que era realista demais e que poderia fazer mal pras pobres crianças inocentes e acabaram proibindo o jogo, durante a crise da metralhadora no cinema, da qual falaremos no próximo game. 


Duke Nukem 3D

Desenvolvedora: 3D Realms
Lançamento: Janeiro de 1996


Okay! Se você joga video games e nunca ouviu falar de Duke Nukem, larga esse joystick preto porque você não é gamer, você é moleque! Tenho certeza de que todos nós sabemos quem é esse cara: loiro, bombado, machista e narcisista, praticamente um Johnny Bravo hardcore.

O jogo trouxe ainda mais inovações aos jogos de fps, como a possibilidade de se abaixar ou pular. E mais: em determinada fase, você podia até mesmo se ver no espelho. Adicionado ao fato deste provavelmente ser o primeiro FPS em que o protagonista tem uma personalidade, não é surpresa alguma que fez tanto sucesso.

Qual foi o problema com este jogo? Bom... em 3 de novembro de 1999, um ser humano chamado Mateus da Costa Meira achou que seria uma ótima idéia puxar uma metralhadora e alegremente sair atirando nas pessoas no meio do cinema, durante uma sessão de Clube da Luta. Um filme ótimo passando e o cara fica de costas pra tela atirando nos outros? Um babaca completo, não?

Enfim, ao que parece, os advogados desse desinfeliz tentaram fazer com que ele tivesse a  pena reduzida, dizendo que foi influenciado pelo Duke Nukem 3D, que também tem uma fase que se passa no cinema. Resultado: no final de 1999, Duke Nukem 3D acabou sendo proibido, junto com outros games, como Blood e Doom.

Me pergunto se a justificativa foi só o excesso de violência, ou se a pornografia presente no game também teve algo a ver com isso. Bom, tanto faz. Vamos pro próximo, porque isso já está me irritando.


EverQuest

Desenvolvedora: 989 Studios
Lançamento: Março de 1999
 

Proibido em janeiro de 2008, junto com Counter-Strike, por decisão da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, EverQuest se trata de um MMORPG como todos os outros, você entra em um mundo de fantasia, escolhe sua raça, sua classe, e sai por aí se aventurando e cumprindo missões.

Agora você se pergunta: "Sério? E daí? Já vi dúzias de jogos como esse". Pois é, eu também estou tentando entender. De acordo com o juiz que proferiu a decisão, "o jogo leva o jogador ao total desvirtuamento e conflitos psicológicos pesados, pois as tarefas dadas no jogos podem ser boas ou más".

E, com essa explicação em mente, eu pergunto: "Sério? E daí?"

Sinceramente, parte essencial de se jogar video games é saber a diferença entre ficção e realidade. Se seu filho for sair por aí matando gatos porque no jogo mandaram ele matar leões, tem algo errado tanto com ele quanto com você, que criou um moleque que não sabe distinguir a verdade da fantasia. Favor se internarem juntos e serem uma linda família maluca feliz.


Grand Theft Auto

Desenvolvedora: Rockstar
Lançamento: Primeiro jogo lançado em outubro de 1997


Hum... vejamos... um jogo em que você é membro de uma gangue e que te dá a possibilidade de matar velhinhas na rua, assaltar bancos, contratar prostitutas, ir a cabarés, matar policiais... ah, e em um dos games é possível destravar a opção de participar de um mini-game de sexo explícito. Qual será o motivo para terem proibido este game?

Isso mesmo, você acertou! Direitos autorais!

 ...como assim, não faz sentido?

Calma, eu explico. Apesar de ter gerado muita polêmica e de ter sido ameaçado de proibição inúmeras vezes, especialmente após o GTA III, que trouxe o jogo para um mundo sandbox em 3D, o que tornou os atos do jogador ainda mais explícitos, nunca chegou realmente a haver uma decisão proibindo qualquer game da franquia.

Quero dizer, isso até o Ballad of Gay Tony, uma expansão, lançada em 2009, do GTA IV. Só que a proibição não foi pelos motivos que eu falei acima, mas sim porque um tal de Mc Miltinho, em outubro de 2010, entrou com um processo contra a Rockstar alegando que uma música sua, chamada "Bota o Dedinho pro Alto", foi usada no jogo sem permissão.

Assim, a 3ª Vara Cível de Barueri/SP deferiu uma liminar e determinou que todas as cópias do jogo à venda fossem recolhidas não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Felizmente, depois acabaram voltando atrás e a proibição passou a valer apenas para este país.

Agora... Mc Miltinho... cá entre nós... ninguém, e eu digo NINGUÉM vai comprar GTA porque tem a sua música. Eu nem sabia quem era você até entrar com esse processo. Ao invés de ficar ofendido porque usaram sua música, deveria ficar feliz pela propaganda gratuita, já que nunca tantas pessoas tinham ouvido a tal "bota o dedinho pro alto".


Requiem: Avenging Angel

Desenvolvedora: Cyclone Studios
Lançamento: março de 1999


Bom, vamos analisar: um fps baseado nas religiões cristãs, em que você assume o papel de um anjo que sai por aí armado atirando em monstros. No papel do anjo Malachi (ou Malaquias), o jogador deve usar seus poderes angelicais (e suas armas) para impedir os planos dos anjos caídos, no reino do Caos e na Terra. Por essa descrição, dá pra entender o que pensaram quando proibiram.

Na verdade, por não ser um game tão popular, eu encontrei bem pouca coisa sobre sua proibição. Aparentemente, foi na mesma época em que proibiram o Carmageddon, mas não consegui descobrir muito mais do que isso. Aliás, tirando o conteúdo pseudo-religioso, não encontrei motivo algum para proibirem, já que não vi o tal anjo matando nenhuma pessoa, apenas alguns monstros e sem nem ter tanto sangue assim.


Counter Strike

Desenvolvedora: Valve
Lançamento: novembro de 2000
 

Esse jogo fica por último, porque já foi desproibido. Bom, creio que todos conheçam Counter Strike, certo? Um jogo de fps que tem dois times, um deles de terroristas e outro de anti-terroristas, sendo que o primeiro deve tentar implantar uma bomba enquanto o segundo tenta impedir. 

É um jogo bem básico e até divertido, que fez muito sucesso há uns 10 anos, durante a febre das Lan Houses. Hoje em dia, pelo surgimento de outros mais avançados do mesmo estilo, como Battlefield e Call of Duty, acabou perdendo sua força, mas ainda há muitos jogadores fiéis e são frequentes os campeonatos deste game.

Enfim, a história é a seguinte... em janeiro de 2008, a 17ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, na mesma decisão que proibiu o EverQuest, levou o Counter Strike de bandeja, na decisão que mais comprovou o total desconhecimento sobre video games das pessoas que, infelizmente, têm o poder de proibi-los.

Por que estou dizendo isso? Simples, vejam essa explicação do Procon de Goiás, que diz que Counter Strike "reproduz a guerra entre bandidos e policiais e impressiona pelo realismo. No vídeo-game, traficantes do Rio de Janeiro seqüestram e levam para um morro três representantes da Organização das Nações Unidas. A polícia invade o local e é recebida a tiros".

Entenderam o drama? OS CARAS DERAM UMA DECISÃO BASEADOS EM UM MOD! Esse mapa da guerra na favela é uma modificação do Counter Strike, que nada tem a ver com o jogo original. E sinto muito Procon, mas, se você não sabe a diferença entre uma modificação e um jogo oficial, deveria pesquisar mais antes de dar uma opinião.

Felizmente, em junho de 2009 o Tribunal Regional Federal da 1ª Região proferiu uma decisão que permitiu que Counter Strike voltasse às prateleiras. Então hoje em dia já pode jogar, pessoal!



Além desses games, há outros que geraram muita polêmica e que até dizem terem sido proibidos, mas eu não consegui encontrar nenhuma informação realmente confiável sobre essa proibição. Me parece que a maior parte deles simplesmente recebeu uma classificação etária para maiores de 18 anos. Entre esses games estão Mortal Kombat, Manhunt, Rule of Rose e Postal. Caso eu esteja enganado, favor me darem um toque nos comentários.

terça-feira, 27 de março de 2012

The Legend of Zelda: A Link to the Past - RESENHA DE JOGO ANTIGO

Gênero: RPG
Desenvolvedor: Nintendo
Plataformas: Super Nintendo, Game Boy Advance e Virtual Console
Lançamento: Novembro de 1991
Onde comprar: Virtual Console


De longe uma das maiores franquias da Nintendo, provavelmente perdendo apenas para a do Mário, é a série "The Legend of Zelda", que trouxe aos jogadores o mundo de Hyrule, com sua própria história, línguas e povos, junto com personagens carismáticos (com nomes frequentemente trocados) e um gameplay intuitivo, com elementos que se tornaram clássicos, aos quais é feita referência em diversos jogos até hoje.

Sua estréia foi em 1986, com o jogo também chamado "The Legend of Zelda", que teve sua sequência logo depois, em "Zelda II - the Adventures of Link", de 1987. Mas, aqui, falaremos do terceiro jogo, aquele que estabeleceu essa como uma das maiores séries da Nintendo: THE LEGEND OF ZELDA - A LINK TO THE PAST!

As batalhas contra os chefes sempre são extremamente divertidas,
mesmo as que não são tão difíceis
Vou ser sincero aqui. Eu pretendia jogar esse game só um pouco, o bastante para tirar as fotos pra matéria, uma vez que já o zerei antes. Mas, quando fui ver, já estava quase na metade, com mais de 5 horas de jogo. Há anos que este está entre meus jogos preferidos, mas até eu me surpreendi com o poder de imersão que ele tem, mesmo após tanto tempo.

A história se passa antes dos acontecimentos dos dois jogos anteriores, sendo uma "prequência" a eles. Você é Link, o carinha de capuz verde, e começa o jogo vivendo em paz com seu tio no reino de Hyrule. No entanto, um dia ambos ouvem um chamado da própria princesa de reino, Zelda, que diz estar em perigo. O tio de Link morre ao tentar salvá-la, deixando essa missão para seu sobrinho, que tem sucesso, ao menos temporariamente.

Regra nº 1 do super vilão: tenha um capacho indicando onde fica
seu esconderijo
Após conseguir levar Zelda para um abrigo provisório, você fica sabendo que o feiticeiro Agahnim está sequestrando donzelas na tentativa de realizar um ritual para abrir os selos mágicos que mantém o poderoso mago Ganon (o vilão de praticamente todos os jogos da série) preso no Dark World. E a única que falta é a princesa. Agora, a fim de derrotar esse inimigo e impedir a abertura da passagem entre o mundo da luz e o das sombras, você deve conseguir a Master Sword, uma espada que só pode ser usada pelo guerreiro escolhido, e usá-la na luta contra o mal.

A fórmula do jogo foi reaproveitada e aperfeiçoada muitas vezes depois. Com seu objetivo em mente, você deve explorar o reino de Hyrule, adentrar diversas dungeons, enfrentar os mais variados inimigos, encontrar diferentes itens, procurar em todos os lugares por segredos que lhe ajudem em sua jornada.

Na verdade, o que eu mais gosto nesse game é justamente a exploração. Praticamente em todos os lugares em que você for há algo pra descobrir. Então, se andar por todos os cantos, encontrará várias passagens secretas, itens escondidos, personagens novos, que lhe revelarão mais da história.

Um mapa muito grande, com segredos espalhados por todos os cantos
E não apenas isso: conforme sua aventura for se desenrolando, você se deparará com novos itens, capazes de abrir passagens e de te levar a locais antes completamente inacessíveis. Uma luva de força te ajudará a levantar objetos que antes eram pesados demais. Bombas novas lhe permitirão destruir obstáculos lhe impediam de continuar. Então, a cada novo item será necessário explorar tudo novamente, vendo quantas novas possibilidades se abriram.

Mais pra frente em sua jornada, você encontrará um espelho, capaz de lhe transportar entre o mundo normal e o Dark World. Então, tudo que você podia explorar agora foi duplicado, de uma maneira maligna e distorcida. Além de viajar por ambos os mundos, também será necessário se aproveitar da combinação deles para alcançar lugares que antes eram inacessíveis, mesmo com todos os seus itens.

Comparação entre o mundo real e o Dark World.
Espera, por que o Link virou um coelho?
Os puzzles, ou quebra-cabeças, sempre foram uma marca registrada de The Legend of Zelda e, neste capítulo, não é diferente. Há muitos tipos de enigmas a serem resolvidos, dentro e fora das dungeons, todos eles divertidos e desafiadores, sem se tornarem difíceis a ponto de desmotivarem o jogador. Pelo contrário, seja matando todos os inimigos de uma sala para abrir a porta, ou fazendo a combinação correta de switches para abrir uma passagem, cada puzzle lhe deixará com mais vontade de saber o que vem em seguida.

Os chefes, que se encontram ao final de cada dungeon, também chamam a atenção. Alguns deles são surpreendentes, outros apenas versões mais poderosas de inimigos normais, mas todos requerem o uso de estratégia e habilidade para derrotar. Não se surpreenda se acabar vencendo quase todos eles enquanto ouve o som de alerta de quando está com pouca vida, às vezes demora para entender o padrão dos golpes e bolar um contra-ataque apropriado.

Os puzzles nunca são muito fáceis nem difíceis, mas requerem raciocínio
Os gráficos, para a época, são muito bem feitos e trabalhados. É possível ver que tanto os personagens e monstros quanto os cenários foram feitos com muito cuidado. Especialmente interessante é perceber o contraste entre as cores vivas e alegres de Hyrule com os tons mais escuros e sombrios do Dark World, que te fazem perceber, mesmo se nada for dito, que aquele lugar é maligno.

A trilha sonora é impecável. A música tema, feita para o Super Nintendo, é praticamente a mesma que eu ouço atualmente, tocada por uma sinfonia. Os efeitos sonoros são bastante característicos e já se tornaram marcas registradas da franquia, vindo até mesmo a ser feita uma referência a eles em jogos como "Super Mario 3D Land", para 3DS.

Link: desde 1986 invadindo casas e destruindo propriedade alheia
Esse é um dos jogos que formam a minha opinião de que os games de antigamente não deixavam nada a desejar comparados aos atuais. Minha imersão nele é mais forte do que em muitos jogos de PS3 lançados há menos de um ano. Tudo em A Link to the Past foi cuidadosamente planejado e calculado de maneira a criar a melhor experiência de jogo possível, com uma fórmula que provavelmente nunca deixará de funcionar. 

Por fim, eu gosto de lembrar que Hyrule (assim como Azeroth, Albion e a Terra-Média),  é um daqueles mundos aos quais estamos constantemente voltando, seja no futuro ou no passado, conhecendo os povos que lá vivem, sua história e seus heróis. Então, cada um dos The Legend of Zelda sempre traz a sensação de estar reencontrando velhos amigos.